Ontem, enquanto trabalhava numa
ação no carnaval durante a puxada de um bloco me deparei com a seguinte cena:
Uma senhora, aparentando seus 60 ou 65 anos de idade, cordeira, com o andar
cansado do percurso já, foi pedir um martelo (aqueles balões de ar que as
pessoas seguram nas mãos no carnaval) a um dos promotores de uma empresa que
realiza ações para marcas durante essa festa nos blocos. O circuito era o
Barra/Ondina, mais precisamente na altura do Clube Espanhol.
Resultado: A senhora teve o seu
balão NEGADO, uma coisa que para muitas pessoas que pagam o bloco não faz a
mínima diferença, mas para aquela pessoa faria. O olhar daquela senhora ao
terem NEGADO a ela o “balãozinho” me marcou profundamente. Tão profundamente
que hoje, enquanto dormia agora à tarde, não sei se sonho ou só uma lembrança,
me veio na cabeça a imagem daquela senhora, cordeira, cansada, abatida e com o
olhar de uma pessoa que não tem oportunidades tendo o seu balão NEGADO.
Naquele momento em que vi aquela
cena toda, fiquei triste, o olhar daquela senhora penetrou na minha alma, lá no
fundo do meu ser. Quis comentar com algumas pessoas que estavam fazendo a mesma
ação que a minha, mas não consegui tamanha era a minha insatisfação e decepção
com aquilo tudo. Fico pensando o que custaria para esses promotores darem “1” balão àquela senhora, por que não
deram, porque ela era cordeira? Diante desse fato, cabe a nós, seres humanos,
refletirmos a situação dos idosos de baixa renda, das pessoas que nessa festa
momesca saem do seu lar para ganhar uns míseros reais para a sua sobrevivência,
da dignidade dessas pessoas, da desigualdade em nosso país, do preconceito de
classes e de cor que revelam o quanto ainda temos muito a aprender.
Vocês podem até perguntar se eu
fiz algo por aquela senhora. Digo-lhes o que fiz: Durante o restante do
percurso, fiquei procurando aquela senhora na esperança de encontra-la e dar o
meu balão para ela. Consegui acha-la e entreguei o mesmo. Acredito eu, que não
tenha sido um grande gesto diante da situação que está por trás disso tudo,
mas, ao ver a senhora sorrir enquanto entregava o meu balão a ela, isso me
deixou consideravelmente confortado, deixou minha alma de ser humano, como
todos nó, mais calma.
Fico aqui na esperança de tocar
ou sensibilizá-los de alguma maneira. Não custa nada pararmos para pensar um
pouco.
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